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Dúvidas de pré-adolescentes levam instituição de ensino a elaborar projeto para orientar seus alunos
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CURITIBA, 17/06/2009 – Quando as crianças começam a sofrer as transformações físicas responsáveis pelo amadurecimento da sexualidade, o interesse pelo tema cresce entre elas. Junto com a curiosidade, porém, vem a vergonha, o que, muitas vezes, faz os pequenos procurarem informações em fontes não confiáveis. De acordo com especialistas, este é o momento em que a família e a escola devem estar presentes para oferecer orientação segura e evitar problemas futuros. O modo de abordar o tema entre os pré-adolescentes, entretanto, ainda deixa alguns pais confusos. Pensando nisso, as Escolas Positivo desenvolveram um projeto de orientação sexual, no qual temas como gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis são tratados com espontaneidade.
Os alunos envolvidos cursam a 6ª série, têm entre 10 e 12 anos e estão entrando na pré-adolescência. “Nessa época, começa a aumentar o interesse pelo o outro sexo e por eles mesmos. Junto, vêm as espinhas, a menstruação e o desenvolvimento do corpo”, explica a neuropsicopedagoga Débora Creti, orientadora educacional das Escolas Positivo. Tantas mudanças ao mesmo tempo causam diversas dúvidas - questões estas que nem sempre são esclarecidas da melhor forma. “Grande parte dos estudantes tem vergonha de perguntar aos pais sobre o assunto, pois nunca tiveram esta liberdade. Sendo assim, procuram sanar a curiosidade com colegas ou na internet e acabam obtendo informações incompletas. A falta de esclarecimentos precisos pode comprometer a futura vida sexual ou até afetar a sua autoestima”, declara Creti.
O desenvolvimento do corpo humano, os sistemas reprodutivos, a prevenção a doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez na adolescência são alguns dos temas apresentados por meio de projeções ilustrativas, amplo material de apoio e muita conversa.“Os alunos se inscrevem voluntariamente para participar do projeto. Meninos e meninas são separados em turmas com, no máximo, 15 alunos. O objetivo é que eles se sintam a vontade para conversar sobre este assunto tão delicado”, explica Cassiano Calluf, professor que ministra as aulas direcionadas aos meninos. Caso a vergonha prevaleça na hora da aula, as crianças têm a oportunidade de esclarecer suas dúvidas por escrito, no anonimato, por meio da chamada ‘caixa de perguntas e respostas’.
De acordo com Calluf, muitos alunos veem no projeto a oportunidade de perguntar coisas que não têm coragem de esclarecer em casa. É o caso do aluno Orlando Wozniak de Lima Nogueira, de 11 anos, do Colégio Positivo Júnior: “Nós temos mais liberdade para discutir esse assunto com um professor, que é especialista, do que com nossos pais. Com o projeto, recebemos informações que devemos ter mesmo antes de sermos adultos”, afirma.
O papel da família
Apenas a instrução escolar acerca da sexualidade, entretanto, não basta para apoiar o pré-adolescente nesta fase da vida. Os especialistas garantem que o papel da família é fundamental. “O jovem precisa ter na família uma base de confiança. Os pais devem criar espaço para que haja um vínculo tal que deixe os filhos à vontade para tirar dúvidas”, orienta a neuropsicopedagoga Débora Creti.
Este vínculo, porém, não se cria de um dia para o outro: é necessário que os pais acompanhem o desenvolvimento do filho desde cedo e esclareçam, com o passar dos anos, as curiosidades próprias de cada faixa etária. Creti acrescenta que as dúvidas devem ser sanadas de maneira natural, em tom de conversa. “Os pais não devem se comportar como se fossem dar uma aula sobre o tema. Assim a criança se retrai, ouve, mas não assimila”, recomenda a orientadora educacional das Escolas Positivo.
O professor Cassiano Calluf também dá as suas dicas: “quando surgir uma pergunta em casa, a família não deve discriminar o filho de maneira alguma. É importante orientar por meio de uma conversa natural, pois, dessa forma, a criança vai se sentir a vontade para sempre se abrir com os pais”, explica.
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